A concepção tradicional da ciência é quantitativa – quer quanto aos conteúdos, nomeadamente nas ciências físicas, quer quanto aos métodos, em que, nas ciências sociais e humanas, o tratamento estatístico se substitui muitas vezes à compreensão profunda dos fenómenos. Ora, no domínio das organizações e das ciências sociais e humanas, muitas vezes os métodos quantitativos não podem ser empregues ou dão resultados triviais.
Por outro lado, em muitos casos, a compreensão dos fenómenos só é possível por quem está inserido dentro deles e tenta intervir para os alterar – Como dizia Lewin “para compreender um sistema é necessário procurar mudá-lo”. Nos últimos anos têm sido desenvolvidos vários métodos qualitativos de que se salientam a pesquisa-acção (Action Research), de que Lewin foi percursor, a Grounded Theory, o método de casos, a Investigação Reflexiva (Reflective Research), e outras.
Finalmente, há que distinguir entre o que são métodos qualitativos usados pelos académicos que, durante um curto período, acompanham ou intervém numa realidade organizacional, e os métodos usados pelos practitioners que vivem por longos períodos imersos nessa realidade, que tentam compreender e mudar.
Trata-se aqui de aprofundar os métodos qualitativos de investigação e analisar a melhor forma de combinar investigação e intervenção nas realidades organizacionais ou sociais.